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Mostrando postagens de novembro, 2020
  A indomável horda de absurdos Absurdos brotam como mosquitos de banana depois da chuva. É quase impossível ao menos contar quantos em uma semana, os mosquitos e os absurdos. Chove bastante, há muitos mosquitos, mas os absurdos brasileiros são insuperáveis. Uma horda. Horda é uma palavra de origem centro-asiática, seu significado original estava relacionado à tenda comunal que reunia e abrigava os clãs, também se relacionava ao conceito de “corte” e de povo. Tornou-se sinônimo de exército e, nas línguas do ocidente, de coisa enorme, desordenada, terrível e destrutiva. Desordenada, terrível e destrutiva são sinônimos, codinomes do tempo atual no Brasil. Vamos falar sobre dois dos absurdos da semana. Haja espaço e cabeça. O assassinato de João Alberto por seguranças de um Carrefour em Porto Alegre despertou os baixos instintos da horda. Muitos dos mesmos que saíram pelas ruas e praças do Brasil varonil com seus uniformes da CBF, aquele templo de lisura e morali...
 É possível  desnormalizar o absurdo no Brasil?   Este blog surgiu como um registro. Um dia a dia insano e apresentado como absolutamente normal, ou “novo normal”, no qual o horror, a estupidez e a pura e deslavada cretinice se incorporam como cracas ao dia. Craca é um tipo de crustáceo que tem o péssimo hábito de se grudar nos cascos dos navios. Se o casco não é limpo o navio perde velocidade, navegabilidade e pode terminar apodrecendo e afundando. Nossas cracas são piores. Se chamam racismo, intolerância, selvageria, individualismo bárbaro, fanatismo, fascismo. Será mesmo possível mostrar essas carcas e ver que são absurdas e não “normais”?   Craca 1 – Assassinato de um homem negro espancado e sufocado até a morte. O horror aconteceu num Carrefour de Porto Alegre. O homem teria agredido uma funcionária da loja. O segurança e um PM temporário ( o que diabos é isso?) o arrastaram para fora. Ao invés de chamar a polícia, começaram a “pacifica-lo” ou seja...
  De derrotas saborosas e vitorias possíveis A onda da extrema direita se quebrou. Até em Goiânia. Em 2016 o ultra-direitista Delegado Valdir ameaçava disputar o segundo turno, em 2018 Bols*naro teve 74% dos votos no segundo turno. Agora a extrema direita, representada por DC e PSL, somados, chegaram a 66 mil votos. Se ajuntarmos os partidos do Centrão e outros aliados do bols*narismo (PL, SD, Pros e o PSD de Vanderlan) e a extrema-direita temos cerca de 41% dos votos validos. O equivalente a soma de nulos, brancos e abstenções. Será que a anti-política perdeu a capacidade de tirar do sono essa parcela do eleitorado? Em 2018 o PSL elegeu 52 deputados federais, 11 espiraram nos dois primeiros anos de mandato. Nas 100 maiores cidades brasileiras 57 terão segundo turno. O PSL não elegeu nenhum prefeito no primeiro turno nessas cidades e disputa o segundo turno em uma única: Sorocaba, no interior de São Paulo. O PT, por contraste, também não elegeu nenhum prefeito nessa p...
  Mentira como método e estratégia Trump perdeu.  Mas nega.  Esperneia.  Ataca os votos pelo correio, grande parte dos quais dados a ele. Inventa uma fraude gigantesca, acusa os suspeitos habituais: a grande mídia, os cavaleiros templários, os chineses. Ainda falta colocar no rol os Incas Venusianos, o Dr. Spock e Harry Potter. Não é piada. Não é delírio. É estratégia política. O sistema político dos Estados Unidos é altamente engessado. Na prática um regime de dois partidos únicos (aproveitando um mote criado por Millor Fernandes). Republicanos e Democratas são gêmeos siameses, univitelinos, um gosta de carne o outro de frango, um de nutela o outro de leite cru. Poucas, tênues diferenças. Desde 1852 Democratas e Republicanos se revezam na presidência daquele país. Atualmente existem pelo menos três outros, insignificantes, partidos. Na China, por comparação, existem nove partidos políticos. A hegemonia é, obviamente, do PC Chinês, mas os outros partidos ...
  COMO SER INVISÍVEL NO BRASIL O primeiro “homem invisível” da era moderna apareceu no romance de H.G.Wells romance de 1897, no final da Era Vitoriana. O principal personagem é o Dr. Griffin. Trata-se de um cientista que desenvolve, ao longo dos anos, experiências buscando a invisibilidade. O primeiro sucesso acontece com um gato, depois Griffin aplica a fórmula da invisibilidade sobre o próprio corpo. Começa a tragédia. Ele termina por se refugiar em um vilarejo do interior da Inglaterra, Iping. Miserável, solitário e meio louco o cientista começa a roubar para financiar a pesquisa de um antídoto para a invisibilidade. Termina linchado e, enfim, visível. Filmes, séries de televisão mantiveram versões diferenciadas da mesma história. Há duas fontes possíveis na mitologia grega. Perseu, o herói que mata a Medusa, desce aos infernos onde recebe de Hades um capacete que o torna invisível. Na mesma mitologia encontramos o Anel de Giges – mito recontado por Platão e depois pelo ro...
  Se o absurdo se tornou normal, está na hora de desnormalizar o absurdo Trump, adios A expressão de Bolson*ro ao comentar que “Trump não é pessoa mais importante do mundo” era um misto de desolação e servilismo. Desolação de perceber o quão isolado fica? Projeção do próprio futuro? O absurdo caminho da diplomacia piromâniaca: embarcar no delírium tremens e comprar como nossa uma versão do resultado de uma eleição em outro país. Inédito. Mais um “tonho luismo” que custará caro ao Brasil. Os rosnados de Trump após a derrota têm a mesma lógica das lorotas de Bolson*ro no Brasil: manter a seita de seguidores alimentada.  Chances de reverter o resultado das eleições: zero.  A aposta é manter e consolidar uma base política de extrema-direita, dando cara e voz ao submundo da política. Perguntas cínicas para questões absurdamente irrespondíveis Mais um horror da manifestação explícita do lodoso machismo brasileiro.  Dessa vez não foi uma trinca de homens, nem ...
  Quando o absurdo se torna normal, está na hora de desnormalizar o absurdo! Quando o esgoto subiu ao pescoço, está na hora de reagir      O que revela o "estupro doloso"? O horror da semana foi o caso do “ estupro doloso ” . A figura n ã o existe na legisla çã o brasileira, pelo menos n ã o na escrita.   “ Doloso ” significa, em juridiquez, que n ã o teve inten çã o de fazer o mal.   Acontecem mortes culposas, por exemplo, quando a arma adquirida por um “ pessoa de bem ” dispara acidentalmente e mata uma crian ç a. Ou quando o filho de um megaempres á rio acerta um transeunte com o carro a 210 km/hora. A justi ç a diz que n ã o h á inten çã o de fazer mal. Sem dolo.   O estupro é uma rela çã o de for ç a e poder. No Brasil a for ç a e o poder est ã o com os ricos e brancos. Se é rico pensa que tudo pode. É uma esp é cie de legisla çã o do c ó digo de Hamurabi, que em seu artigo 282 estabelecia o “ corte da orelha ” do es...
  Se ca í mos todos na á gua, s ó nos resta nadar Se o normal é absurdo, s ó nos resta desnormalizar o absurdo   Como é f á cil enganar quem quer ser enganado   Situa çã o 1: a plat é ia no show de m á gica. Com exce çã o das crian ç as bem pequenas, todos os outros sabem que o que ver ã o é um truque. E se espantam, reagem.   Situa çã o 2 : os palha ç os entram no picadeiro. O que se espera é o que vir á : cambalhotas, espiro de á gua das flores da lapela, puns de talco que agradam velhas ex-atrizes sem no çã o, quedas, bordoadas com martelos de pl á stico fofo. Previs í vel, mas provoca o riso.   Situa çã o 3: eleitor ouvindo candidatos falarem da fam í lia, dos valores morais, da honestidade, da enorme e mastod ô ntica f é que ele tem. Sabemos que, na absoluta maioria das vezes, a vida e a pr á tica do sujeito é exata e milimetricamente o oposto do que ele diz. Mas os votos caem como gotas de chuva no esgoto. Previs í vel a consequ ê...