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Vai dar em alguma coisa?

 Abin virou apoio de advocacia? Nos Estados Unidos existe a função de Law Consultant. Podem ser firmas ou pessoas especializadas em certas áreas do direito. Basicamente, orientam clientes em procedimentos jurídicos, por exemplo, quando processados, na montagem de suas defesas.  A utilização da ABIN - a obscura Agência Brasileira de Inteligência - para fornecer elementos para a montagem da defesa do senador Flávio Bols*naro, denunciada pela revista Época desta semana, se comprovada, caracteriza um gravíssimo caso de aparelhamento do Estado e conduta que implica em crime de responsabilidade. A ABIN é pouquíssimo conhecida pela absoluta maioria da população. Se a denuncia vai dar em alguma coisa ninguém sabe. Aplica-se a velhinha norma brasileira: depende. Para alguns nenhuma prova é necessária, para outros nenhuma é suficiente. Será que o botim de 1/4 de bilhão para colocar a cloroquina no programa Farmácia Popular ajuda a entender o entusiasmo 'científico" por aquele remédio pr...
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O caso das seringas que não há

 O estrambotico caso das seringas que derrotam um país Um esforço inédito da ciência. Mais de cem equipes científicas em todo o planeta trabalharam, e trabalham, para produzir uma vacina contra a Covid19. Laboratórios de lugares tão diversos quanto China, Rússia, Alemanha, Israel, Coréia, Estados Unidos ou Cuba e o Reino Unido. A comunidade científica compartilhou pesquisas, técnicas, formas de tratamento. Num momento de união internacional de esforços apenas os fanáticos anti-vacinas e hordas de extrema direita que acham a ciência "coisa de comunista". Ciência, história, filosofia, direitos humanos, ONU, OMS, arte, cultura, conhecimento, civilização em suma. Mas, no Brasil o vírus tem um insuspeitos e invicto aliado: a absoluta incompetência aliada ao mais completo desprezo pela vida. A falta de seringas para inocular qualquer vacina que seja extrapola todos os buracos do absurdo. Mas, quando se pensa que é impossível passar desse nível vem o Ministério da Saúde e diz que va...
P izzas:  de vitórias e derrotados A maré da extrema direita se quebrou mesmo, nesse segundo turno. A esquerda mostrou novos rostos: Boulos, com 40% dos votos na cidade de São Paulo, contribui para mudar o perfil purista do PSOL; Manuela D'Ávila, no conservador Rio Grande do Sul, só foi derrotada por que se uniu tudo, mas tudo mesmo, no espectro do centro, da direita e da extrema direita gaúchas. Em Belém outra figura do PSOL, o Deputado Federal, Edmilson também emerge num esboço de nova cena política. Recife provou que uma frente ampla é muito mais capaz de eleger que um arranjo estreito. A disputa na família Arraes pendeu, folgadamente, para João Campos. Marilia Arraes disputou, perdeu, mas apareceu como um novo rosto da esquerda. O PT perdeu protagonismo. Será que vai aprender alguma coisa? Sem nenhuma capital para governar o encolhimento no total geral de prefeituras foi visível. Uma das mais saborosas derrotas foi a de Crivella, o apocalíptico prefeito do Rio de Ja...
  A indomável horda de absurdos Absurdos brotam como mosquitos de banana depois da chuva. É quase impossível ao menos contar quantos em uma semana, os mosquitos e os absurdos. Chove bastante, há muitos mosquitos, mas os absurdos brasileiros são insuperáveis. Uma horda. Horda é uma palavra de origem centro-asiática, seu significado original estava relacionado à tenda comunal que reunia e abrigava os clãs, também se relacionava ao conceito de “corte” e de povo. Tornou-se sinônimo de exército e, nas línguas do ocidente, de coisa enorme, desordenada, terrível e destrutiva. Desordenada, terrível e destrutiva são sinônimos, codinomes do tempo atual no Brasil. Vamos falar sobre dois dos absurdos da semana. Haja espaço e cabeça. O assassinato de João Alberto por seguranças de um Carrefour em Porto Alegre despertou os baixos instintos da horda. Muitos dos mesmos que saíram pelas ruas e praças do Brasil varonil com seus uniformes da CBF, aquele templo de lisura e morali...
 É possível  desnormalizar o absurdo no Brasil?   Este blog surgiu como um registro. Um dia a dia insano e apresentado como absolutamente normal, ou “novo normal”, no qual o horror, a estupidez e a pura e deslavada cretinice se incorporam como cracas ao dia. Craca é um tipo de crustáceo que tem o péssimo hábito de se grudar nos cascos dos navios. Se o casco não é limpo o navio perde velocidade, navegabilidade e pode terminar apodrecendo e afundando. Nossas cracas são piores. Se chamam racismo, intolerância, selvageria, individualismo bárbaro, fanatismo, fascismo. Será mesmo possível mostrar essas carcas e ver que são absurdas e não “normais”?   Craca 1 – Assassinato de um homem negro espancado e sufocado até a morte. O horror aconteceu num Carrefour de Porto Alegre. O homem teria agredido uma funcionária da loja. O segurança e um PM temporário ( o que diabos é isso?) o arrastaram para fora. Ao invés de chamar a polícia, começaram a “pacifica-lo” ou seja...
  De derrotas saborosas e vitorias possíveis A onda da extrema direita se quebrou. Até em Goiânia. Em 2016 o ultra-direitista Delegado Valdir ameaçava disputar o segundo turno, em 2018 Bols*naro teve 74% dos votos no segundo turno. Agora a extrema direita, representada por DC e PSL, somados, chegaram a 66 mil votos. Se ajuntarmos os partidos do Centrão e outros aliados do bols*narismo (PL, SD, Pros e o PSD de Vanderlan) e a extrema-direita temos cerca de 41% dos votos validos. O equivalente a soma de nulos, brancos e abstenções. Será que a anti-política perdeu a capacidade de tirar do sono essa parcela do eleitorado? Em 2018 o PSL elegeu 52 deputados federais, 11 espiraram nos dois primeiros anos de mandato. Nas 100 maiores cidades brasileiras 57 terão segundo turno. O PSL não elegeu nenhum prefeito no primeiro turno nessas cidades e disputa o segundo turno em uma única: Sorocaba, no interior de São Paulo. O PT, por contraste, também não elegeu nenhum prefeito nessa p...
  Mentira como método e estratégia Trump perdeu.  Mas nega.  Esperneia.  Ataca os votos pelo correio, grande parte dos quais dados a ele. Inventa uma fraude gigantesca, acusa os suspeitos habituais: a grande mídia, os cavaleiros templários, os chineses. Ainda falta colocar no rol os Incas Venusianos, o Dr. Spock e Harry Potter. Não é piada. Não é delírio. É estratégia política. O sistema político dos Estados Unidos é altamente engessado. Na prática um regime de dois partidos únicos (aproveitando um mote criado por Millor Fernandes). Republicanos e Democratas são gêmeos siameses, univitelinos, um gosta de carne o outro de frango, um de nutela o outro de leite cru. Poucas, tênues diferenças. Desde 1852 Democratas e Republicanos se revezam na presidência daquele país. Atualmente existem pelo menos três outros, insignificantes, partidos. Na China, por comparação, existem nove partidos políticos. A hegemonia é, obviamente, do PC Chinês, mas os outros partidos ...