Mentira como método e estratégia
Trump perdeu.
Mas nega.
Esperneia.
Ataca os votos pelo correio, grande parte dos quais dados a ele. Inventa uma fraude gigantesca, acusa os suspeitos habituais: a grande mídia, os cavaleiros templários, os chineses. Ainda falta colocar no rol os Incas Venusianos, o Dr. Spock e Harry Potter.
Não é piada. Não é delírio. É estratégia política.
O sistema político dos Estados Unidos é altamente engessado. Na prática um regime de dois partidos únicos (aproveitando um mote criado por Millor Fernandes). Republicanos e Democratas são gêmeos siameses, univitelinos, um gosta de carne o outro de frango, um de nutela o outro de leite cru. Poucas, tênues diferenças. Desde 1852 Democratas e Republicanos se revezam na presidência daquele país. Atualmente existem pelo menos três outros, insignificantes, partidos. Na China, por comparação, existem nove partidos políticos. A hegemonia é, obviamente, do PC Chinês, mas os outros partidos também elegem membros para a Assembleia Nacional.
O caso estadunidense é único entre as mais antigas democracias ocidentais. Na França há vinte partidos políticos, embora tradicionalmente as grandes disputas fiquem entre os três mais fortes. A Alemanha tem também vinte partidos. Até no Reino Unido, onde o revezamento entre Conservadores e Trabalhistas é histórico desde meados do século passado, há mais dezesseis partidos.
O bipartidarismo estadunidense faz com que tanto republicanos quanto democratas se dividam, se subdividam, pareçam muito mais “frentes” que partidos. Trump joga com isso. Os republicanos mais conservadores – o que é uma espécie de absurda redundância – nunca o engoliram direito. Ele joga para a plateia da extrema-direita. Quer manter o discurso da fraude para ter papel político nos próximos anos e, se der, tentar uma nova eleição em 2024. Ao menos, se tornar a voz da extrema-direita.
Grandes e pequenas mentiras são arroz de festa na política.
Algumas têm repercussão trágica, como a farsa montada pela extrema-direita alemã que dizia que a Alemanha só perdeu a Primeira Guerra Mundial por que foi traída. Isso sustentou uma das grandes mentiras do nazismo. Outras mentiras são apenas ridículas mesmo, como o pedido do PSDB para que Aécio (lembram da figura?) fosse empossado em 2015.
A insanidade é cálculo. Mas, como se trata do personagem que é, Trump bem poderia adotar algumas medidas “republicanas” e “maduras” para preparar a posse de Biden, por exemplo:
1 – Mergulhar todo o estoque de papel higiênico da Casa Branca em caldo de pimenta;
2 – Colocar açúcar no tanque de combustível dos carros;
3 – Arar os jardins;
4 – Deixar buracos no ar condicionado para vazar o gás;
5 – Trocar a coca-cola por pepsi nas máquinas de refrigerante;
6 – Fazer vudu deixando mexas de cabelo cenoura detrás de todas as fotos e pinturas de ex-presidentes estadunidenses;
7 – Passar a luz da Casa Branca pra ISOLUX, empresa que “cuida” do abastecimento do Amapá;
8 – Colocar tachinhas debaixo do couro da poltrona presidencial;
9 – Trocar por bicarbonato de sódio o sal dos saleiros;
10 – Fazer xixi todas as noites na cama presidencial;
11 – Pintar a Casa Branca de cenoura;
12 – Garantir a presença do Bols*naro na posse do Biden.
Mais uma parceria: Insônia - Música e interpretação: Débora di Sá / Letra: Itamar Pires Ribeiro
https://www.facebook.com/deboradisa/videos/3091206164273028
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