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 Se o absurdo se tornou normal, está na hora de desnormalizar o absurdo

Trump, adios


A expressão de Bolson*ro ao comentar que “Trump não é pessoa mais importante do mundo” era um misto de desolação e servilismo.

Desolação de perceber o quão isolado fica? Projeção do próprio futuro?


O absurdo caminho da diplomacia piromâniaca: embarcar no delírium tremens e comprar como nossa uma versão do resultado de uma eleição em outro país. Inédito. Mais um “tonho luismo” que custará caro ao Brasil.


Os rosnados de Trump após a derrota têm a mesma lógica das lorotas de Bolson*ro no Brasil: manter a seita de seguidores alimentada. 

Chances de reverter o resultado das eleições: zero. 

A aposta é manter e consolidar uma base política de extrema-direita, dando cara e voz ao submundo da política.


Perguntas cínicas para questões absurdamente irrespondíveis


Mais um horror da manifestação explícita do lodoso machismo brasileiro. 

Dessa vez não foi uma trinca de homens, nem a voz esganiçada de um advogado uivando absurdos para defender seu riquíssimo cliente, mas uma professora da pequena cidade de Planalmira – que fica próximo de Pirenópolis. 

A professora do Instituto Adventista Brasil Central produziu a seguinte “pérola”: 

Acho que os meninos vão concordar com isso: muitas vezes, a mulher é realmente culpada de um estrupo [sic], de alguma coisa nesse sentido. Por que a mulher tem que ficar provocando os coitadinhos dos homens?”

Logo na sequencia ela atribui à testosterona a estupidez e a bestialidade do estrupro.

Ao que se sabe a testosterona é um hormônio que regula, entre outras coisas, fertilidade, percentual de gordura muscular e distribuição da gordura no corpo e mesmo a produção de glóbulos vermelhos. É produzido por homens e mulheres, embora os homens o produzam em quantidade muito maior. Para ela então todo homem é um estuprador? Os “meninos que concordarem com isso” devem receber tratamento?

O Instituto Adventista Brasil Central afastou a professora e publicou uma nota repudiando a declaração e informando do afastamento da professora de suas funções.


2 – Futuros prováveis da “Cenoura Mecânica”: voltar para o horror dos “reality shows”?


3 – Chamar o ex-juiz Moro para condenar o processo eleitoral americano “por convicção”?


4 – Responder por sonegação de impostos federais? Nos EUA isso é sério. Al Capone, por exemplo, foi pra cadeia não por assassinatos, extorções, tráfico, etc, mas por sonegação de impostos. No final de setembro (dia 27) o New York Times publicou uma matéria na qual levanta a questão da possível sonegação de impostos por parte de Trump. O bilionário quase-ex-presidente pagou módicos 750 dólares de impostos federais em 2016. O jornal novaiorquino afirmou que Trump "Ele não pagou qualquer imposto sobre a renda em dez dos quinze anos anteriores. Em grande parte porque declarou mais perdas do que receitas"(fonte: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2020/09/28/reportagem-do-new-york-times-acusa-trump-de-sonegar-impostos.htm?)


Pra fechar, mais uma parceria: "O Elefante e a Bailarina", letra Itamar Pires Ribeiro, música e interpretação de Débora di Sá.


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